Soni Esteves
segunda-feira, 2 de novembro de 2026
LEITURAS DE OUTUBRO 2026
sexta-feira, 18 de setembro de 2026
LEITURAS DE AGOSTO, 2026
Por entre solicitações e obrigações do mês de Agosto, não sobrou muito tempo para os livros. Três foi a conta possível.
LIÇÕES DE QUÍMICA, Bonnie Garmus
Numa altura em que assistimos à contestação do Feminismo, e são, muitas vezes, as próprias mulheres a defender o ressurgimento de uma certa ideia de conservadorismo, esta história recorda-nos que ainda nos anos sessenta do século vinte, os institutos de pesquisa, as universidades e os locais de poder, de um modo geral, estavam vedados às mulheres. A protagonista, Elisabetet Bott, por se recusar a encaixar nos lugares para onde a querem relegar, tem a coragem de lutar pelo lugar que sabe merecer. Com alguém disse “Ela é o lembrete de quão longe chegamos mas também de quão longe ainda temos de ir”. Uma coisa curiosa é que, sendo ela uma química, acaba por nos mostrar o quanto essa ciência está presente no nosso dia a dia.
A ÚLTIMA LIÇÃO DE ÁLVARO SIZA VIEIRA, Patrícia Reis
Li, não há muito tempo, “A Desobediente”, da mesma autora, e gostei do modo como ela apresentou a biografia de Maria Teresa Horta, por isso senti uma certa curiosidade em conhecer, através dela, o arquiteto mais premiado em Portugal e um dos mais prestigiados a nível internacional.
Na verdade, não se trata de uma biografia no sentido mais tradicional, Álvaro Siza Vieira vai-se desenhando perante nós, através das suas próprias palavras, dos seus desenhos, da sua poesia, tudo habilmente selecionado por Patrícia, fruto de um conjunto de conversas entre ambos. Além de ficar a perceber melhor algumas das suas obras, fiquei a conhecer outras (aquelas que me convocaram à pesquisa) e, sobretudo, percebi que na arquitetura, pelo menos na de Siza Vieira, também existe diálogo e poesia.
“O VENTO CONHECE O MEU NOME, Isabel Allende
Mais um livro a entrelaçar o passado e o presente, os desencontros familiares marcados pela guerra e a busca pelo reencontro. Honestamente, não é dos meus preferidos da autora.
quinta-feira, 23 de abril de 2026
O INFINITO NUM JUNCO, Irene Valejo
Uma magnífica e incomparável história do livro, que é também uma forma de ler a história da Humanidade. Encontrei em cada página verdadeiras pérolas, tanto que é difícil, para mim, destacar um capítulo, um episódio, uma passagem. Contudo, talvez pela época que vivemos, vou citar um breve trecho, que foi encontrado num monumento funerário grego, datado do século II:
“A única coisa que vale a pena é a educação. Todos os outros bens são humanos e pequenos e não merecem ser procurados com grande empenho. Os títulos nobiliárquicos são um bem dos antepassados. A riqueza é uma dádiva da sorte, que a tira e a dá. A glória é instável. A beleza é efémera; a saúde inconstante. A força física cai tomada pela doença e pela velhice. A instrução é a única das nossas coisas que é imortal e divina. Porque só a inteligência rejuvenesce com os anos e o tempo, que arrebata tudo e dá sabedoria à velhice. Nem sequer a guerra que, como uma enxurrada, varre e arrasta tudo, te pode tirar o que sabes."
terça-feira, 30 de dezembro de 2025
O IMPÉRIO DAS SOMBRAS, de Fernando Pinheiro
A minha última leitura de 2025 foi o romance histórico "O Império das Sombras", de Fernando Pinheiro. Foi uma leitura lenta, porque o texto é denso, complexo e denota um trabalho de investigação hercúleo, por parte do autor.
Aprendi imenso sobre uma época da nossa história muito pouco explorada, ou que eu, pelo menos, pouco sabia. A perda da independência de Portugal para Espanha, os meandros do domínio filipino, da guerra da restauração, da perseguição aos judeus e cristãos novos, das atrocidades cometidas pelo Tribunal do Santo Ofício, as alianças e pseudo-alianças com países historicamente nossos amigos, são temas profundamente explorados.
O autor procura adotar uma linguagem consentânea com a época e recorre a expressões e termos caídos em desuso e outros de que ainda me lembro de, em menina, ter ouvido aos mais velhos.
sexta-feira, 28 de março de 2025
FINALMENTE, TORMES
Deixei-me encantar por Eça de Queirós, quando, no ensino Secundário, lia, como todos líamos, as sebentas e os resumos sobre a sua obra, ao invés de nos debruçarmos sobre os livros, como era suposto. Curiosamente, aqueles textos que prometiam evitar o tormento de uma leitura que não queríamos fazer, acabou por despertar em mim uma curiosidade que me levou não só à leitura de "Os Maias", mas a aventurar-me por outros livros do mesmo autor, todos aqueles a que pude deitar mão e olhos.
De tal maneira me tornei numa admiradora de Eça que, mais tarde, quando já a trabalhar pude dispor de dinheiro ganho por mim, comprei a coleção completa das suas obras, em encadernação de capa dura, que figura, orgulhosamente, numa das minhas estantes.
À medida que o descobria, mais me apetecia descobrir. Li-o e li sobre ele, vi séries televisivas, fotografei a casa onde viveu na Póvoa de Varzim, e até falei dela num dos meus contos, no livro “Brisas” . Interessavam-me as suas vivências, talvez por descobrir que, não raramente, os episódios da sua vida se misturavam com a sua ficção.
Mas só por estes dias, numa viagem por terras de Baião, ao deparar-me com a placa indicativa da localidade de “Tormes”, resolvi não adiar mais a visita que se impunha.
Gostei muito. A visita guiada à Casa de Tormes, hoje convertida na Fundação Eça de Queirós, conduziu-nos por referências tão vivenciais quanto ficcionais, já que as estadias de Eça por Tormes terão sido sempre de passagem, o que não o impediu de se confessar encantado pela paisagem que se impõe, ainda hoje, perante o nosso olhar cansado de cidade.
Na casa repousam alguns dos seus bens, aqueles que a família conseguiu reunir, alguns trazidos da sua casa de Paris, onde faleceu em 1900. Existem peças de mobiliário, pratas, vários objetos pessoais... e é neste contacto com os objetos que ele tocou, perante os livros que leu, a mesa onde escrevia, os aparos e o tinteiro que usou, que não pude deixar de me emocionar.
Saí dali com um propósito: reler “A cidade e as serras”. Confesso que não foi dos meus livros preferidos, mas, depois desta visita, lê-lo-ei com outros olhos e tenho a certeza de que vou adorar.
segunda-feira, 15 de julho de 2024
LANÇAMENTO DO LIVRO "BRISAS"
Na mesa, para além da autora, estavam presentes o vice -presidente e vereador da cultura do Município, Dr. Luís Diamantino, o presidente da fundação Luís Rainha, Dr. Inácio Sousa Lima, e a escritora Ana Paula Mateus, que apresentou o livro.
Foi uma sessão muito participada, a sala encheu e, num ambiente animado e descontraído, ainda houve tempo para as fotografias da praxe e, claro, os autógrafos, antes do jogo de Portugal. Sim, estávamos em pleno Europeu e Portugal jogava nesse dia, contra a França. Infelizmente perdeu, por 5-3, nos penaltis, constituindo a única nota negativa do dia.
quinta-feira, 8 de fevereiro de 2024
Voltar às raízes em tempo de presépios
Ontem voltei a Sobreposta, a terra dos meus avós paternos, onde vivi até aos oito anos. Nessa altura, os habitantes dos lugares de cada freguesia eram uma espécie de família alargada. Ainda são, a julgar pelos presépios que se podem observar em cada um deles, e que foram fruto de construção coletiva. Diferentes na forma, no tamanho, na técnica ou materiais, são, contudo, iguais no propósito que está por trás da construção de cada um: o fortalecimento da união, de que o presépio é, afinal, símbolo máximo.
E, surpresa das surpresas, num daqueles lugares ardia uma fogueira (desde manhã, disseram), que iluminava o presépio e, perto dele, como se fossem figuras daquela representação icónica, estavam os seus fazedores, em volta de uma mesa, para a qual fomos convidados. E assim, simplesmente, repartiram connosco o pão o vinho e o bolo-rei e pusemos em dia velhas lembranças, porque há sempre alguém que recordamos e há sempre alguém que lembra quem somos e de onde viemos.
Senhora Presidente da Freguesia de Sobreposta, a sua ideia colhe frutos, oxalá daqui a muitos anos esta seja mais uma tradição enraizada e se continue a repartir o pão, o vinho, os braços e os abraços.
Os lugares de Sobreposta estão mais bonitos. Parabéns!





